quinta-feira, agosto 24, 2006

que fique claro que por frescura eu não gosto de golfinho e tenho medo de anão.

assim fica mais fácil explicar o dia em que peguei um ônibus com um anão e não parecer tão preconceituosa.
aconteceu no dia que fui fazer a minha matrícula atrasada na católica e voltei de ônibus pra casa. eram umas duas e pouca quando o dois irmãos rui barbosa passa e eu entro, tinham 4 pessoas no ônibus: eu, suada e puta da vida; motorista, não vi a cara; cobradora, puta safada, rapariga, ... e uma senhora, que parecia ter entrado no ônibus errado e tava falando com a cobradora.
peguei o ônibus na frente da católica, queria olhar o recife antigo e com o passar do tempo foi entrando gente e mais gente. quando senta uma moça do meu lado, que me fala:

- eita! ele morreu.
- ?! quem?
- o anão que entrou quase agora.
- morreu?! anão?! onde?
- antes da borboleta, levanta e olha.

quando eu noto que todo o ônibus ta fazendo isso.

- eita, será que ele ta bem? né melhor pedir pra levar num hospital não?

quando na verdade o que passava pela minha cabeça era: meu deus, um anão morreu no meu ônibus, anão não morre, ninguém vai acreditar em mim, eu preciso de uma máquina digital, se pelo menos eu tivesse ainda com aquele celular com câmera. amanda, ta louca?! tu ia tirar foto do anão morto. tu é doida?!

- que nada, anão é tudo escroto, deve é estar tirando onda da cara da gente.
- acho que não, ele deve estar com alguma coisa mesmo.
- deve ta é bicado, isso sim. escroto.
- tu ta olhando se ele ta mexendo? não consigo ver daqui.
- oxe, o anão tava de barriga pra cima e agora tá.... tá....
- de barriga pra baixo?
- é, ele ta de barriga pra baixo, ta vendo? é tudo escroto.
- levantou!!!
- ta onde?! ta andando?!
- olha pra baixo que tu vai conseguir ver, huahauuhauha.
- é, ele ta vindo.
- vai é pedir dinheiro, tô ligada.

o anão passou pela catraca e começou a pedir dinheiro, a dizer que queria 10 ou 20 centavos, que qualquer coisa já ajudava, que ele podia ser traficante. mas que era de família, tinha filhos e precisava de alimentos.

- vai trabalhar vagabundo!!!
- QUEM DISSE ISSO?!
- eu.

era um cara que tava sentado bem pertinho da cobradora.

- o senhor ta me chamando de vagabuuuuuuuuuundo?
- ta pedindo esmola, então vagabundo.
- MOTÔ, PÁRA QUE ELE VAI DESCER.

mulher amiga, amante ou colega de serviço do cara que chamou o anão de vagabundo fala:

- deixe disso, moço.
- a senhora vai descer também.
- MOTO, PÁRA!!!!

pro meu choque, o motorista parou e o casal foi embora.
depois disso o anão voltou pra perto da cobradora e começou a pedir por centavos de novo e a dizer que precisava de alimentos. a cobradora então falou:

- ta bom já, né meu senhor?
- ta bom o que rapariga safada? a senhora tem emprego, eu não tenho nada. eu não escolhi nascer assim pequeno, papai do céu não fez por maldade e eu não tenho raiva de papai do céu. mas ele, papai do céu, quer que vocês me ajudem. qualquer ajuda, já ajuda.

- ...
- ...

cobradora fala:
- já basta!
- cala a boca! que eu bato nesse ônibus todo, nele todinho. sou pequeno, mas derrubo tudinho.
- ...
- ACEITE O SENHOR.

só podiam estar brincando, né? claro que não.
então ele pediu dinheiro de novo e graças a deus ele resolveu que era hora de descer, entrou no recife antigo e só saiu na parada da frente da cultura inglesa casa forte. com o transito que a gente pegou, foram uns 50 minutos pelo menos.
pedi parada e andei até em casa pasma.
me senti dentro da comunidade anão mata 8 e bla bla bla.